
Três caras novas hoje, todos homens e todos para avaliação, mas não posso deixar de me focar num só: aquele que foi o primeiro paciente com que fiquei a guiar a avaliação sozinha. Hoje foi o 4º dia de estágio, e por menos que esperasse não tive ninguém ao meu lado para ouvir o que estava a dizer. Sentia-me capaz para o fazer, não foi algo premeditado então acho que também acabou por ser uma prova de confiança nas minhas capacidades.
O que é que não estava à espera? Que fosse o paciente mais complicado que vi hoje, e o segundo mais complicado destes 4 dias. Ui, o que ainda me poderá aparecer e eu a achar que estes seriam dos piores, becas becas não deves bem estar a ver onde te meteste, mas a seu tempo tu encaixas tudo. Um senhor de meia idade, com transtorno de personalidade bipolar diagnosticado pela psiquiatria, sem familiar e que passou a consulta toda com uma postura corporal desadequada para o contexto, que interrompia vezes sem conta, que não tinha vontade nem interesse na avaliação, que nem percebeu bem o que esteve a fazer. O pensamento era confuso e lentificado,
Não me senti mal, nem inibida ao longo da avaliação, o que me leva a crer que tenho paciência para trabalhar com estes pacientes e a esforçar-me para que algo possa ser feito por eles. Senti mais as dificuldades a emergir, ultrapassava uma e voltava outra, e foi uma consulta em que fui incansável e tentei realizar a maior parte das tarefas, para que ficasse já uma ideia dos défices mais emergentes. Rapidamente terminou a segunda semana, mas há novidades: deverei começar outro estágio, noutro hospital e complementar a este.



